Durante a sessão da CPMI do dia 8 de janeiro, o senador Marcos Rogério questionou o fotógrafo da Reuters, Adriano Machado, que foi filmado interagindo com os invasores no interior do palácio do Planalto. O senador questionou o fotógrafo sobre a ausência de proteção aos prédios e sobre a localização da Força Nacional, já que o fotógrafo havia dito que viu a Força no ministério da Justiça no início da tarde.
O senador questionou: “o senhor disse que nunca tinha visto, em sua trajetória, o que viu naquele dia. Nunca tinha visto o quê? (...) O que o senhor nunca tinha visto antes?”. O senador questionou ainda se o fotógrafo, em sua longa experiência, já tinha visto tamanha facilidade na entrada para o palácio do Planalto. Marcos Rogério lembrou que a fotografia que rodou o mundo, utilizada para caracterizar o dia 8 como um ato “golpista”, foi a imagem captada pelo fotógrafo, no momento que foi registrado por câmeras.
Ele disse:
“A cena clássica é aquela cena da porta. E ali verificamos 3 fases - preparação, execução, checagem. O agressor criminoso se posiciona, espera sua preparação e executa sua ação”. O senador apontou que o vídeo não mostra um ambiente tenso e agressivo. Ele disse: “A imagem mostra um clima tranquilo e, de certa maneira, até colaborativo. Eles olham as imagens e me parece mais escolherem imagens, escolherem ângulos, do que qualquer outra coisa”. O senador afirmou: “aquela imagem que rodou o mundo para caracterizar o “movimento golpista” saiu da câmera de V. Sa. Então, não faz sentido o argumento que V. Sa. apresentou nesta CPI”. Marcos Rogério afirmou: “a versão não combina com os fatos.
Ela é desmentida pelos fatos”. Após o fotógrafo apresentar uma versão em que ele não teria sido visto pelos invasores, o senador disse: “as cenas que nós vimos demonstram o contrário”. O fotógrafo, então, pareceu ficar sem palavras quando o senador perguntou: “qual o valor de um flagrante preparado?”. O senador repetiu a pergunta: “Qual o valor que se atribui a um flagrante preparado? O valor probatório, o valor histórico, de um flagrante preparado?”. Após o fotógrafo responder que considera que não há nenhum valor, Marcos Rogério acrescentou: “Foi isso que nós vimos naquela cena da porta: um flagrante preparado”.
Enquanto jornalistas da imprensa conservadora independente são abertamente perseguidos e sofrem todo tipo de “medida cautelar” no bojo de inquéritos políticos, o fotógrafo da Reuters, embora estivesse no interior do palácio do Planalto interagindo com invasores, não foi sequer ouvido como testemunha. Da mesma forma, até o momento, o general G. Dias não foi preso, não teve seu passaporte apreendido, nem suas contas bloqueadas, nem seus bens ou sua renda apreendidos.
Essas “medidas cautelares” são reservadas a conservadores, que podem sofrer qualquer uma, ou várias, delas sem qualquer indício de crime, sem direito à defesa, nem acesso ao devido processo legal. Quando aplicadas a conservadores, as “medidas cautelares” podem perdurar pelo tempo que desejar o senhor ministro que determina sua aplicação, ainda que as pessoas não tenham foro privilegiado e não estejam, portanto, sujeitas à jurisdição das cortes superiores.