Após ser cantado por quase um século sem grandes discussões ou polêmicas a respeito de seu conteúdo, o hino do estado do Rio Grande do Sul virou alvo de uma polêmica criada por vereadores do PSOL, PT e PCdoB em Porto Alegre (RS). Segundo os parlamentares, um dos trechos da canção que é entoada desde 1933 teria conteúdo racista.
– Não temos obrigação nenhuma de cantar um verso que diz que o nosso povo não tem virtudes, por isso foi escravizado. O hino foi elaborado em um contexto de guerra, no qual a única forma de escravização era sobre a população negra, que lutou na guerra sob promessa de liberdade, que não tiveram – disse o vereador Matheus Gomes (PSOL).
A recusa aconteceu durante a cerimônia de posse, na última sexta-feira (1°), quando os parlamentares permaneceram sentados durante a execução. A postura do vereador provocou uma chuva de críticas a ele nas redes sociais. Muitos alegaram que o sentido da frase não é racista e, sim, tem a ver com a relação do Rio Grande do Sul com Império.
O trecho que causou discussões diz que o “Povo que não tem virtude acaba por ser escravo”. Apesar da alegação de racismo feita pelos parlamentares de esquerda, membros de movimentos de tradição gaúcha refutaram a acusação e apontaram que a bancada negra perde tempo para discussão de assuntos mais importantes com polêmicas desnecessárias.
– Enquanto a bancada negra fica sentada e não canta o hino, nosso povo perde um precioso tempo de ser protagonista de uma nova história. Este é nosso tempo, precisamos sair das amarras, lutar com as armas do respeito e da igualdade e quebrar alguns preconceitos próprios – declarou Julia Dutra, diretora de Manifestações Individuais e Espontâneas do Movimento Tradicionalista Gaúcho.
