Deputado que colaborou com inquéritos de Alexandre de Moraes diz que foi usado em esquema para prejudicar Bolsonaro O deputado Nereu Crispim admitiu, em áudios divulgados pelo jornalista Oswaldo Eustáquio, ter feito denúncias manipuladas com o intuito de prejudicar o presidente Jair Bolsonaro.
As denúncias do deputado foram utilizadas para dar esteio aos inquéritos conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal e na CPMI das Fake News.
Ao divulgar os áudios do deputado, o jornalista Oswaldo Eustáquio afirmou: “O deputado Nereu Crispim, que iniciou o inquérito das Fake News, disse que foi usado por Bivar e a cúpula do STF para ter o monopólio dos R$ 193 milhões do fundo e para tentar derrubar Bolsonaro”.
Na reportagem realizada pelo jornalista, o deputado Nereu Crispim afirma que informou ao Supremo Tribunal Federal, em petição protocolada no dia 27 de outubro, sobre as mentiras anteriores. Segundo o deputado, sua petição pede a retirada de todos os ofícios que ele já enviou à Corte com denúncias falsas e pedidos de prisão contra adversários políticos.
No áudio divulgado na reportagem, o deputado diz ao jornalista Oswaldo Eustáquio: “E vou dar um depoimento e vou falar a verdade, que essas prisões foram estimuladas pelo Bivar, para tentar acomodar um número de deputados que estavam a favor do presidente da República, com o único interesse de manter o monopólio do PSL - monopólio financeiro, do fundo eleitoral do partido”.
O deputado acrescenta: “Eu tentei ligar para o STF, eles me atendem lá de vez em quando, porque eu já fiz essas denúncias, eles têm conhecimento. Eu liguei pra lá agora, eles me retornaram essa ligação agora, como prioridade, porque eu sou deputado federal, eles me ligaram”.
O jornalista pergunta sobre os pedidos de prisão, e o deputado confirma que, em sua própria opinião, as prisões de apoiadores do presidente Bolsonaro são ilegais. Em seguida, afirma que fez os pedidos de prisão a pedido do presidente do PSL, Bivar. O jornalista questiona se as prisões foram pedidas para facilitar a criação de um “laranjal” dentro do partido, e o deputado responde: “Exatamente. Por isso que eu linkei tudo.
A ideia dele era sempre isolar o presidente, entendeu? Que era o que ele estava tentando fazer. Ainda estimulado daqueles atos ali… Eram dois grupos que estavam tentando prejudicar o presidente, tanto o Bivar, tanto os milicos que estão lá do lado do vice, né?”. Oswaldo Eustáquio pergunta se Crispim tem algum áudio de Bivar pedindo a prisão da ativista Sara Winter.
O deputado confirma e reitera que esse material já estaria em poder do Supremo Tribunal Federal. Crispim diz: “Claro! Eu tenho o áudio dele pedindo pra mim assinar, tchê! Já está lá no STF!”. Em áudio, o deputado Nereu Crispim explica suas motivações para pedir ao STF a retirada de suas manifestações anteriores.
O deputado diz: “Na realidade, eu como deputado eu tinha comprado uma ideia de que eu estava defendendo uma democracia, e que na realidade acabei entendendo que eu estava defendendo um grupo partidário com o exclusivo interesse de se manter na cúpula de administração desse partido, com interesse, e com indícios de que no final era manter o controle sobre o fundo eleitoral e o fundo partidário. Eu retirei 13 requerimentos”.
O deputado procurou inicialmente a ativista Sara Winter, que permanece em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, a mando do ministro Alexandre de Moraes, assim como outros presos políticos. Em conversa com Sara Winter, o deputado disse: “Eu vou lavar minha alma contigo. Sabe que me acusaram, assim, de uma série de coisas, e eu participei de uma coisa que eu achei que estava fazendo um bem, na realidade estava fazendo um mal, mas tu vai entender”.
Após a veiculação dos áudios, a deputada Bia Kicis, citada na reportagem, afirmou: “O Presidente do PSL, Bivar, propôs ao grupo PSL raiz que o partido pedisse a minha prisão por crimes que não cometi. Isso é coisa de bandido, covarde, mau caráter. Mas seu plano vai sendo delatado por seu antigo aliado, deputado Nereu Crispim. Que lama!”.
Veja o vídeo abaixo do Canal Folha Política
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